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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vikram Bhatt’s RED the dark side

Antes de o ver pelos meus olhos, li cinco críticas sobre o filme.
Para que não haja suspense, todas são mais ou menos devastadoras. As principais queixas são de que para um thriller de mistério, o argumento é previsivel; um filme não vive só de grande cinematografia e iluminação; as interpetações são mediocres; os diálogos são fracos; a narrativa está cheia de buracos; os policias são tótos; os aspectos eróticos não funcionam; desprovido de substância e (uh..uh..que chatice..) toma toma advinhei o logo o fim..

Não percebo.. devo andar numa dieta diferente desta gente. Todos estes argumentos me parecem tretas de quem passou o tempo todo a olhar para o decote da Celina Jaitley ou para o torso musculado de Aftab Shivdasani.

Os comentários vão pela mesma faixa de retórica daqueles que julgam por baixo os últimos filmes de Shyamalan Night, apenas porque no final este não foi capaz de lhes torcer as expectativas. Tal atitude denota o quão as pessoas esperam ser supreendidas apenas pela esperança de supresa e nesta espera, de criança no dia do aniversário, ignoram o conteúdo do filme, seja este intrisecamente simbólico ou puramente de obra gráfica ou cinema de entretenimento sem pretensões.

O tom dramático da música de fundo (Raju Rao) lembra o de basic instinct e podem-se fazer alguns paralelismos este ambos os filmes, mas apenas serviriram para meter os dois no cesto fácil do trash-movie.
A primeira meia-hora é uma lição em como se apresenta as circustâncias do personagem de forma apelativa e eficaz. Aqui, pela metade, Manoj Tyagi (argumentista) é desonesto. Elabora cenas do textbook sem vergonha e apresenta as personagens em semblantes sem alma e estereótipados. É o período da manobra, é de quem soube para onde ia.

A partir dos 40m a coisa parece começar a levar umas pinceladas de surreal, mas afinal é a montagem que começa a libertar-se de restrições. No entanto, as cenas com ambiência surreal povilham o ecrã para grande prazer visual deste vosso.
O filme tem tantas imagens cativantes ao senso estético, que torna obsoleta a vossa colecção de albums de fotografia de 100€ cada.

As sequências musicadas aproveitam o desenrolar dos acontecimentos para marcar pausas utilizadas para aprofundar o estado emocional das personagens e as letras de Sameer são perfeitas, de simples na tradução desses sentimentos crus e emoções básicas. Neste não se dança no set, nem se canta para distrair. As canções são nihilistas e essa é uma diferença que se me apraz evidenciar.
Deve ser um daqueles caso de falar de Deus, indica mais sobre o próprio que sobre o tema...

Metade da história anda para a frente à conta da inteligência do detective, embora a investigação seja secundária. As peças encaixam-se linearmente e a preocupação por pormenores é descurada, porque não é necessário perder tempo com o intelecto quando o objectivo a atingir é sensorial.
A mim, o suspension of disbelief pareceu-me conseguido até 2/3 do filme e outros espectadores menos rodados nestas coisas podem bem atingir os 3/3 sem muitas espinhas. Mas a verdade é que, para os que não foram além dos 2/3, o argumento mostra as cartas e não persiste em nenhum bluff que sabe não ir ter bom resultado, o que convenhamos é algo que não é assim tão habitual.

O filme usa-nos como é sua obrigação e depois entrega-se sem fazer alaridos. Então, avançamos como voyeurs companheiros e estamos do mesmo lado dos acontecimentos.. até dar mais uma voltinha....ou duas..
Não percebo qual é o pecado desta obra que consegue colocar todos contra ela, mas dito isto já aí está uma boa razão para nutrir algum afecto pelo bicho.. Por muito menos já vi escrever-se que a coisa tinha um qualquer tipo de valor. Como diz o gaulês, estes romanos são loucos...

A melhor frase do filme é a final, que não pode ser dita aqui. Os mais ‘inteligentes’ imaginavam logo o desfecho quando o filme começasse a ganhar vida no inicio, mas a verdade é que os espertinhos apenas calcularam o que o argumento lhe queria dar e não devem ter gostado de perceber que este ainda tinha um ‘olha, também pensastes nesta?’ nos minutos finais.
No entanto, não é por isso que o filme é mais do que aparenta. Fosse ele filmado a PB, sem cinemascope, sem techno e com gente feia, a banda iria tocar logo outra melodia, e quase que adivinho que seria a de um filme que homenageia e re-interpreta o film-noir americano dos fifties.
Para seu mal, este é um filme feito nos dias de hoje e por isso ‘moderno’ e honesto, que não precisa de estratagemas arty para se fazer ao mundo.

A contracapa afirma: “...directed by Vikram Bhatt, the maestro of the film noir with a stunning euro-thriller style narrative and with a superlative soundtrack by Himesh Reshammiya…”
E não é que não é publicidade enganosa.. Puf, vá-se lá perceber estes marketers? Querem vender e depois dizem a verdade? Deve ser por isso que o pessoal torceu o nariz..

Pedra ou Pedregulho?

Se estivesse sobre o efeito de Pentoutol de Sódio iria responder:

pedra (p piqueno)

2 comments:

barbarella disse...

Uau, esta faixa do Himesh Reshammiya já ganhou!
Mais um filme lançado em Portugal pela Dikebarnel e que pode ser encontrado em lojas como a Fnac e o Media Markt.

arleqvino disse...

..as restantes são igualmente viciantes..
a edição à venda em portugal tem como extras 2 makingofs; um dos 3 videos de remix de promoção e outro do filme.. dá para perceber que ser actor em Bollywood é mesmo trabalho..

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