domingo, 16 de maio de 2010

My Son the Fanatic - O Meu Filho Fanático

Cheguei hoje a uma conclusão: praticamente tudo o que eu sei (ou julgo saber) sobre a vivência dos imigrantes do Sudeste asiático no Reino Unido provém da mesma fonte - o escritor e argumentista Hanif Kureishi.
Foi ele que escreveu os argumentos do filme My Beautiful Laundrette (A Minha Bela Lavandaria), da série The Buddha of Suburbia, e de My Son the Fanatic (O Meu Filho Fanático), editado em Portugal pela Atalanta Filmes.

Como noutros filmes centrados na comunidade paquistanesa, O Meu Filho Fanático aborda as diferenças de mentalidade entre os pais que vieram do Paquistão para o Reino Unido à procura de trabalho e os filhos que já aí nasceram.

Nesta caso, acompanhamos um pai amante de jazz e de um copo de whisky ao fim do dia enquanto este assiste desagradado à aproximação do seu único filho ao Islão radical e moralista de uma nova geração que renega a cultura inglesa e deseja regressar às raízes no Paquistão.

O pai, o simpático taxista Parvez (interpretado por Om Puri) tem como única amizade a jovem prostituta Bettina (Rachel Griffiths). Esta ligação é obviamente muito mal vista pelo resto da comunidade embora, como Parvez refere várias vezes, a prostituição não seja um mal exclusivo do Ocidente e as prostitutas não sejam necessariamente más pessoas.

Se por um lado, O Meu Filho Fanático expõe a frágil moral de alguns religiosos e a sua falta de respeito pela dignidade humana (nomeadamente ao segregar as mulheres no seio do ambiente familiar e ao espancar prostitutas com o intuito de limpar as ruas), também não deixa de ilustrar pontualmente o racismo de alguns ingleses para com os imigrantes que compõem grande parte da força laboral do país.
Sobre este ponto, às vezes imagino como seria se os imigrantes que sustentam grande parte Europa parassem todos de trabalhar ao mesmo tempo...

Ainda que não traga grandes inovações à já longa tradição de filmes ingleses filmados em ambiente proletário e com personagens fragilizadas, O Meu Filho Fanático vive sobretudo das interpretações e da entrega dos actores.
Já foi lançado em 1997 mas infelizmente parece que certas temáticas teimam em não desaparecer. E eu creio que é sempre construtivo conhecermos as pessoas por trás dos rótulos.


1 comments:

Ibirá Machado disse...

Uau, parece deveras bom! E ainda com Om Puri!

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