terça-feira, 14 de setembro de 2010

Suhaagan (1964)

Realizado em 1964 por K. S. Gopalakrishnan, Suhaagan foi um dos últimos filmes do actor e realizador Guru Dutt, que faleceu no mesmo ano.

Lidando com o sempre presente tema da castidade feminina, Suhaagan tem uma abordagem algo singular a esta matéria.

Vijay Kumar (Guru Dutt) é um professor universitário oriundo de uma família humilde à procura de emprego. É então contratado pela universidade da qual é director o pai de Sharda (Mala Sinha). Sharda é aluna de Vijay e rapidamente desenvolve por ele um interesse romântico.


Sharda decide confessar os seus sentimentos a Vijay e ignorar o noivo que o seu pai já lhe tinha escolhido, numa atitude de auto-determinação feminina que felizmente era algo comum a alguns filmes desta época.

Após muita contestação por parte do pai de Sharda, esta e Vijay acabam por casar-se. Recusando dar a sua benção à união, o pai pede à filha que, pelo menos, nunca deixe de estar com o seu marido. E esta jura cumprir essa promessa.

Após o casamento, os recém-casados vão viver para casa da mãe de Vijay e este arranja emprego na faculdade local.

É então que se dá o revés da história. Vijay sofre uma queda de uma altura considerável e magoa as costas. Os médicos examinam-no e concluem que o acidente enfraqueceu o coração de Vijay e que este não aguentará emoções fortes, como por exemplo ter um filho (que deve ter sido a forma encontrada pelo argumentista para dizer "ter relações íntimas com a mulher" sem sofrer um corte na Censura).

Parafraseando um outro blog sobre cinema indiano, "não é interessante ficarmos pensando no absurdo de um diagnóstico desses, senão o filme perde a graça".
Quando um argumentista quer criar uma situação, surge logo um Deus ex machina para a causar e nem vale a pena debater muito o assunto.

Sem coragem para contar ao marido a informação dada pelo médico, Sharda evita todas as suas investidas amorosas, o que causa grande estranheza e frustração no marido.

Sharda fica desesperada pois o impulso que sente para se entregar ao marido é bastante forte, e ela luta com todas suas forças para não sucumbir - inclusivamente lendo panfletos de Ghandi sobre o celibato e tomando duches frios à noite.

Aquilo que seria um assunto a ser tratado num registo cómico ou erótico pelo cinema ocidental é, no cinema indiano, tratado com uma grande carga dramática. Apesar de todas as formalidades e tradições que envolvem os relacionamentos inter-pessoais na ficção indiana, a sexualidade é aqui encarada com grande naturalidade, pois como é reiterado ao longo de Suhaagan, é saudável e expectável que os jovens vivam uma sexualidade plena e sem restrições.

Por este motivo, o filme presenteia o protagonista masculino com um grande dilema: o que fazer quanto à sua mulher? Deve deixá-la viver presa a um homem que ama mas com quem não pode estar ou deverá libertá-la do casamento?

Vijay decide divorciar-se de Sharda e entregá-la em casamento a outro homem, para que possa ser feliz. Mas como pode ela ser feliz afastada de quem ama?

Apesar de esta ser uma decisão em prol da mulher, a verdade é que é tomada em detrimento da vontade expressa desta última.
Resta saber como reagirá Sharda a este novo destino que lhe foi escolhido pelo marido. E como poderá ela cumprir a promessa que fez ao pai.

Em Suhaagan, o que brilha mais é o dramatismo expressivo de Mala Sinha e as canções lindíssimas interpretadas por Mohammed Rafi, sem dúvida um cantor singular no panorama do playback indiano. Toda a banda-sonora é de grande qualidade, aliás.

Infelizmente a edição que vi - da KMI - tinha cortes abruptos a meio das canções e de algumas cenas. Não percebi se se tratou de censura ou simplesmente de haver partes da película impossíveis de recuperar. Não seria totalmente inédito que tal acontecesse.
Em todo o caso, estas interrupções não foram de tal ordem que conseguissem quebrar o ritmo agradavelmente constante do filme. A ver.

Realizado em 1964 por K. S. Gopalakrishnan, Suhaagan foi um dos últimos filmes do actor e realizador Guru Dutt, que faleceu no mesmo ano. Lidando com o sempre presente tema da castidade feminina, Suhaagan tem uma abordagem algo singular a esta matéria. Vijay Kumar (Guru Dutt) é um professor universitário oriundo de uma família humilde à procura de emprego. É então contratado pela universidade da qual é director o pai de Sharda (Mala Sinha). Sharda é aluna de Vijay e rapidamente desenvolve por ele um interesse romântico. Sharda decide confessar os seus sentimentos a Vijay e ignorar o noivo que o seu pai já lhe tinha escolhido, numa atitude de auto-determinação feminina que felizmente era algo comum a alguns filmes desta época. Após muita contestação por parte do pai de Sharda, esta e Vijay acabam por casar-se. Recusando dar a sua benção à união, o pai pede à filha que, pelo menos, nunca deixe de estar com o seu marido. E esta jura cumprir essa promessa. Após o casamento, os recém-casados vão viver para casa da mãe de Vijay e este arranja emprego na faculdade local. É então que se dá o revés da história. Vijay sofre uma queda de uma altura considerável e magoa as costas. Os médicos examinam-no e concluem que o acidente enfraqueceu o coração de Vijay e que este não aguentará emoções fortes, como por exemplo ter um filho (que deve ter sido a forma encontrada pelo argumentista para dizer "ter relações íntimas com a mulher" sem sofrer um corte na Censura). Parafraseando um outro blog sobre cinema indiano, "não é interessante ficarmos pensando no absurdo de um diagnóstico desses, senão o filme perde a graça". Quando um argumentista quer criar uma situação, surge logo um Deus ex machina para a causar e nem vale a pena debater muito o assunto. Sem coragem para contar ao marido a informação dada pelo médico, Sharda evita todas as suas investidas  amorosas, o que causa grande estranheza e frustração no marido. Sharda fica desesperada pois o impulso que sente para se entregar ao marido é bastante forte, e ela luta com todas suas forças para não sucumbir - inclusivamente lendo panfletos de Ghandi sobre o celibato e tomando duches frios à noite. Aquilo que seria um assunto a ser tratado num registo cómico ou erótico pelo cinema ocidental é, no cinema indiano, tratado com uma grande carga dramática. Apesar de todas as formalidades e tradições que envolvem os relacionamentos inter-pessoais na ficção indiana, a sexualidade é aqui encarada com grande naturalidade, pois como é reiterado ao longo de Suhaagan, é saudável e expectável que os jovens vivam uma sexualidade plena e sem restrições. Por este motivo, o filme presenteia o protagonista masculino com um grande dilema: o que fazer quanto à sua mulher? Deve deixá-la viver presa a um homem que ama mas com quem não pode estar ou deverá libertá-la do casamento? Vijay decide divorciar-se de Sharda e entregá-la em casamento a outro homem, para que possa ser feliz. Mas como pode ela ser feliz afastada de quem ama? Apesar de esta ser uma decisão em prol da mulher, a verdade é que é tomada em detrimento da vontade expressa desta última. Resta saber como reagirá Sharda a este novo destino que lhe foi escolhido pelo marido. E como poderá ela cumprir a promessa que fez ao pai. Em Suhaagan, o que brilha mais é o dramatismo expressivo de Mala Sinha e as canções lindíssimas interpretadas por Mohammed Rafi, sem dúvida um cantor singular no panorama do playback indiano. Toda a banda-sonora é de grande qualidade, aliás. Infelizmente a edição que vi - da KMI - tinha cortes abruptos a meio das canções e de algumas cenas. Não percebi se se tratou de censura ou simplesmente de haver partes da película impossíveis de recuperar. Não seria totalmente inédito que tal acontecesse. Em todo o caso, estas interrupções não foram de tal ordem que conseguissem quebrar o ritmo agradavelmente constante do filme. A ver.

12 comments:

Juzé disse...

Os classicos, os classicos !

barbie-o disse...

Os clássicos são fantásticos :)

Iseedeadpeople disse...

O roteiro é surreal!!!

Ainda não assisti a nenhum filme antigo de Bollywood, mas já vi vários clipes. Qdo eu tava na Índia, tinha um canal que só passava vídeos de músicas antigas de Bollywood, e eu ficava o dia todo assistindo!

Adoro a estética da época, a maquiagem das mulheres com os olhos de gatinho, os penteados, os cenários...e as músicas sempre maravilhosas, com muitos elementos orquestrais, cítaras etc

Aqui meu clipe preferido, do filme Shalimar, uso esta musica p malhar - me dá a maior energia pra correr =) Essa canção é bem psicodélica e modernosa p época, dá uma conferida:

http://www.youtube.com/watch?v=KcpdccMjZvA

Iseedeadpeople disse...

Roubei essa foto da Sharmila Tagore a direita , ah como ela era linda!

Quem são estes no cabeçalho do blog? Só conheço a Aishwarya!

barbie-o disse...

Que lindo! As músicas do Shalimar são gloriosas!

Os outros no cabeçalho são o Vijay, actor do cinema tamil, e a Helen, a mulher mais fantástica e liberada de sempre no cinema indiano. Ela fazia muitos números de cabaret nos anos 60 e 70 e nós amamo-la.
A bailarina foi tirada na net, não sei quem é ^_^
Na parte de trás fizemos questão de pôr cartazes em Hindi e Urdu também. A ideia é mostrar a pluralidade do cinema indiano, que é muito mais do que filmes contemporâneos made in Bollywood.
Obrigada por perguntares!

Iseedeadpeople disse...

Jesus, esse Vijay é LINDOOOO!!! Adoro estes macho-man indianos. Não gosto muito dos que tem carinha de bebê. Deve ser po isso q piro com o Ajay Devgan =)

Manda algum link da Helen, fiquei curiosa! É sempre bom saber q existiram indianas à frente do seu tempo!

barbie-o disse...

Eu também acho o Vijay fofo! Já o Ajay Devgan... not so much :)

Se fores até ao final da página do blog e seleccionares "Helen" nas categorias, verás alguns posts onde onde ela é mencionada.

Em dia destes dedicaremos um post inteiro a ela, à sua vida e à sua carreira.

barbie-o disse...

Eu também acho o Vijay fofo! Já o Ajay Devgan... not so much :)

Se fores até ao final da página do blog e seleccionares "Helen" nas categorias, verás alguns posts onde onde ela é mencionada.

Em dia destes dedicaremos um post inteiro a ela, à sua vida e à sua carreira.

Iseedeadpeople disse...

Barbie, não consigo achar torrents desse filme! Só acho de um tal Suhaagan de 1978 e outro de 1986! Onde vc achou?

Iseedeadpeople disse...

Esse Vijay é o Joseph Vijay? De q filme é essa foto lindjeenhaaa?

barbie-o disse...

A minha cópia foi comprada numa mercearia indiana em Lisboa :)
Infelizmente não existe quase nada na internet sobre este filme e também não encontrei torrents. Acho que é um filme um pouco esquecido.

Este Vijay é o Joseph Vijay. Sem o bigode ele fica com carinha de menino, eheh.

Rodolfo disse...

já agora, ali atrás entre a bailarina e a Helen está a gloriosa Rekha, não nos esqueçamos dela ;)

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