segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bollywood Show - como foi

Este post não poderia começar sem antes agradecermos e darmos os parabéns à Zirø pela magnífica empreitada que foi trazer o Bollywood Show a Portugal.
À medida que o espectáculo foi avançando, não pude deixar de pensar na sensação de realização pessoal que deve acompanhar a concretização de um projecto destes.
Esperemos que estes tenham sido os primeiros de muitos espectáculos deste género no nosso país.

A Casa da Música estava praticamente cheia para receber este grupo de bailarinos e músicos profissionais que, ao longo de duas horas, nos apresentaram uma espécie de buffet da música e dos estilos de dança normalmente veiculados no cinema popular de Mumbai, vulgo Bollywood.


Acompanhados por um narrador e por uma projecção de imagens por cima do palco, abriram a noite com a animadíssima Deewangi Deewangi de Om Shanti Om, a que se seguiu um medley com algumas das músicas mais populares do cinema indiano contemporâneo (incluíndo as que fizeram parte da banda-sonora da telenovela Caminho das Índias).

A partir daí fomos introduzidos à história da música indiana e à sua base rítmica. Dois percussionistas apresentaram os respectivos instrumentos musicais, colocando-os em diálogo entre si e com o público.
As coreografias e a música que vemos nos filmes, mesmo nos mais modernos e comerciais, têm uma raíz clássica e tradicional muito forte e foi isso que pudemos saborear de seguida, com a entrada em palco de uma bailarina de Bharatanatyam.

Aberta que estava a porta para a apresentação de dança clássica, o espectáculo avançou com a apresentação do estilo Kathak, começando com coreografias de filmes de época e com uma descrição da função das cortesãs no período Mogul.

Numa nota pessoal, estes momentos encheram-me completamente as medidas. Umas atrás das outras, vimos desfilar músicas de Devdas, Mughal-e-Azam, Pakeezah e Umrao Jaan, terminando com Salam-E-Ishq, do filme Muqaddar Ka Sikander. A cereja no topo do bolo foi ter sido incluída a introdução instrumental magnífica da música Pyar Kiya To Darna Kya.

Estas são, no entanto, formas "corrompidas" do Kathak puro. A amplitude rítmica, gestual e narrativa daquele que é um dos mais antigos estilos de dança da Índia foi brilhantemente explorada pela bailarina Aditi Bhagwat. O público ficou verdadeiramente hipnotizado e creio que qualquer pessoa presente adoraria assistir a um espectáculo desta artista a solo. Caham...

Seguiram-se mais medleys de música pop e, finalmente, a actuação dos cantores vindos da Índia.
Bhanu Pratap Singh, ex-concorrente do programa Indian Idol, mostrou ser um grande comunicador e animou bastante as hostes. Cantou Teri Ore em dueto com Pratibha Singh, ex-concorrente do programa Sa Re Ga Ma. E foi arrepiante (no bom sentido) ver a facilidade com que esta intérprete transitou de um registo vocal muito próximo do de Shreya Ghoshal para o da arrojada Sunidhi Chauhan ao interpretar Sajna Ve Sajna logo de seguida.
Infelizmente a actuação dos dois cantores foi muito curta, queríamos ver mais.

Com mais alguns medleys dos hits mais recentes, o espectáculo foi avançando para o seu fim. Pelo caminho ficaram surpresas muitíssimo agradáveis como quase todas as coreografias de Devdas de uma assentada e a inesperada mas fundamental Choli Ke Peeche Kya Hai, uma música que se tornou conhecida por todos os motivos errados!

A única coisa que faltou durante a noite, a meu ver, foi um número de Bhangra para completar o ramalhete. Logisticamente imagino que fosse complicado pôr em cena uma coreografia tradicional de Bhangra com a roupa adequada e apenas com quatro bailarinos do sexo masculino. Mas o facto é que Bollywood sempre recorreu a temas de Bhangra para anunciar casamentos ou situações festivas e o impacto de côr e ritmo que um número de Bhangra poderia trazer a um espectáculo deste género seria impressionante. Fica aqui a ideia.

O Bollywood Show tem um formato diferente daquilo a que o público português está tradicionalmente habituado mas a receptividade foi grande. E demonstrou que as coreografias Bollywood podem sobreviver quando retiradas do seu contexto (i.e. os filmes).
No entanto, ver os filmes enriquece a experiência de ouvir/ver as canções. Elas têm uma função narrativa importante e não existem no vácuo (ao contrário do que acredita quem nunca viu um filme indiano).

Por fim, é de louvar a decisão da organização em promover também o Bollywood Show fora dos circuitos de comunicação restritos às várias comunidades indianas residentes em Portugal.

Esperamos sinceramente que tenha sido uma aposta ganha.

3 comments:

Juzé disse...

Infelizmente não pude ir, mas acredito que deve ter sido espectacular.Paciência! Fica para a próxima.

barbie-o disse...

Claro! Estou convencida que haverá mais deste género ;)

Anônimo disse...

Que grande espectáculo deve ter sido
gostava de ter ido

Vera

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