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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Entrevista com Diana Rego


Temos finalmente o prazer de apresentar uma entrevista com uma das nossas pessoas preferidas! A portuense Diana Rego, bailarina de formação e vocação, é um dos tesouros mais bem guardados deste nosso cantinho à beira-mar plantado.

A Diana dança, canta, dá aulas e, acima de tudo, tem obviamente um grande gosto e empenho naquilo que faz. 
Estando um dia destes a navegar pela nossa blogosfera, deparei-me com o vídeo abaixo (que aconselho os nossos leitores a verem antes de começarem a entrevista) e pensei: "Como é que ainda não escrevemos um artigo sobre a Diana Rego?"
E quem melhor do que a própria para nos guiar através do seu percurso e da sua arte? Aqui fica a entrevista, acompanhada de alguns vídeos.


GM Para começarmos, quando é que começaste a dançar e como é que essa paixão se foi desenvolvendo?

DR Comecei a dançar aos 5 anos de idade com o Balllet Clássico, saí passado uns anos pela rigidez deste estilo e do ensino do mesmo. Passado uns dez anos comecei a fazer formação de dança tradicional Africana e dança Oriental, também passei pela Capoeira uns anos. Desde logo a paixão por estas culturas longínquas foi surgindo com mais força dentro de mim, o que me impulsionou a várias viagens de pesquisa e estudo. Comecei por Espanha (Flamenco), logo Turquia (dança oriental e sufi), Israel (danças circulares sagradas) e logo no Brasil onde estive um ano na universidade de dança da Bahia, também envolvida com a cultura étnica Afro Brasileira, que logo me dirigiram a um viagem de estudo a África oeste, para ir ao encontro das raízes desta minha paixão.


GM Tendo formação clássica, como é que as danças orientais e, em particular, a dança indiana surgiram no teu percurso? O que dirias que te levou até elas?

DR O fascínio pela Índia sempre esteve dentro de mim mas o encanto pela dança Indiana surgiu quando estava de Erasmus em Inglaterra, na biblioteca da Universidade a desfolhar uma enciclopédia de Dança Indiana e quando vejo as imagens de dança Clássica Odissi, as lágrimas deslizavam alegremente pelo meu rosto, criando um sonho "um dia hei-de viver na Índia e entrar neste mundo através da dança..."


GM Quando estiveste na Índia estudaste Kathak e Odissi, duas formas de dança clássica bastante distintas. O que te agrada mais numa e noutra? E há alguma com que te identifiques mais?

DR Estive a estudar primeiro Kathak , durante uns meses, com um guru de Varanasi, mas quando soube da possibildade de estudar intensivamente Odissi no Rajasthan parti de imediato, deixando o kathak um pouco para trás, muito agradecida, claro, com tudo que tinha aprendido. O Rajasthan fazia parte do meu imaginário pelo cenário, cores, cultura folclórica etc. Enquanto vivi aí tive oportunidade de estudar a full com o meu Guru gi e a envolver-me também com a casta dos ciganos Kalbelia a sua vibrante cultura. Isso sim foram duas experiências bastante distintas...
Em relação ao Kathak e Odissi, creio que devido à origem e carácter de cada uma destas danças e ao meu próprio, identifico-me muito mais com Odissi.
O Kathak era o momento alto do entretenimento da corte da nobreza Mughal, onde era exigido um virtuosismo, um enfoque técnico com um elaborado trabalho de pés e piruetas, além de expressões faciais. O Odissi também resultou de várias influências e diferentes períodos com por ex. o Tantrismo, mas nasce nos templos como momento alto da "Puja" oferenda, ritual feita para os deuses e por muito tempo foi realizado no templo não para um público, onde a doçura e a poesia do movimento reinava.


GM Ao que sabemos, tens vários projectos paralelos, entre os quais os Anaidcram, a Companhia de Dança Diana Rego e, claro, as aulas de dança. Por favor conta-nos um pouco mais sobre cada uma destas actividades.

DR Anaidcram é um projecto formado por mim e pelo musico Marc Planells, que desabrocha pelo nosso amor mútuo pela cultura Oriental, como viajamos e estudamos juntos depois também criamos em conjunto, colaborando também com diferentes músicos e bailarinas. Já atuámos em cenários bastante peculiares e distintos, dos quais posso nomear festival de dança ou música do mundo no México, em Cuba, na China, Macau e Índia.
A minha companhia de dança é um projecto recente, em busca de apoios para seguir em frente, surgiu pela vontade de construir uma linguagem miscigenada onde posso incluir todas estas pesquisas do tradicional e tornando-as algo contemporâneas que também reflitam o momento presente. O projecto conta com a participação de algumas das bailarinas do programa "Achas que sabes dançar" após a minha ida ao mesmo para coreografar Bollywood. O que é bom pois ela trazem uma linguagem Clássica e contemporânea muito forte e as outras bailarinas trazem a linguagem mais étnica, como é o caso de Asfy Nadina de origem Indonésia.

Em relação a cursos e formações, dou de norte a sul do país, assim como no estrangeiro; é outro lado do meu trabalho que me dedico bastante e que adoro pois tem sido uma experiência bem enriquecedora . Por exemplo este mês, estive a dar um curso intensivo no Conservatório de Dança de Lisboa, com bailarinas adolescentes excelentes que concluiu com um lindo espetáculo no teatro Tivoli e passado uma semana estava a dar formação num estagio da Eurye, técnicas de yoga para escola e ensino, onde as alunas eram quase todas professoras de escola mais velhas do que eu, mas a mesma energia para dançar e criar... lindo...


GM Para finalizar, a pergunta da praxe: existe algum actor ou coreografia do cinema indiano que prefiras? Ou alguma faixa musical que gostes particularmente de dançar?

DR Gosto muito das coreografias do filme Devdas. A musica também gosto de várias claro, posso mencionar o Maar Dala.

4 comments:

Juzé disse...

Bom Trabalho !

Rodolfo disse...

Muito boa entrevista ;)

arleqvino disse...

..muito bom..
boas perguntas, bem respondidas :]

bárbara disse...

:)

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